Da pedra para a Rocha

Desolação. Esta é a primeira palavra que vem à mente diante de um cenário de tamanha degradação. Os prédios com as fachadas destruídas parecem querer desmoronar a continuar a existir em situação tão precária, é possível ver as crianças soltas pelas ruas sem cuidado e sem choro. A desesperança é tão intensa que chega a ser tangível. Em um ciclo infinito que atravessa noites e dias, homens e mulheres se mantem imóveis, estáticos e alienados do mundo.

 

Poderia dizer que este cenário é a realidade de Porto Príncipe, no Haiti ou o resultado da guerra na Síria, mas a verdade é que este relato de miséria e tristeza está no coração de São Paulo. Estamos falando da Cracolândia.

 

Para tentar reverter esse quadro terrível, a ONG Vidas Recicladas tem apoiado o projeto “da pedra para a Rocha”, idealizado pelo pr. Ricca, da Igreja Bola de Neve de Ribeirão Pires.

 

No sábado à tarde, como fazem todos os meses, os voluntários fazem uma ação social ao lado da Cracolândia onde distribuem churrasco, roupas e calçados aos dependentes químicos. Esta edição da ação social contou com a distribuição de uma tonelada de churrasco. Enquanto o alimento era servido e as roupas distribuídas, a Bateria de Samba da Igreja Bola de Neve tocava sambas enredos próprios e tentava chamar a atenção de todos.

 

O presidente da ONG Vidas Recicladas esteve no local para conhecer as instalações que foram cedidas para a parceria com o projeto. Na ocasião, Marcos e Ricca conversaram sobre a reforma do imóvel e sobre novas estratégias para aumentar o impacto do apelo aos ‘moradores’ da Cracolândia e um caminho de libertação do vício.

 

No meio da tarde, uma pequena parte atendeu ao chamado dos tambores, mas a dura realidade é que o uso contínuo da droga fez com que a capacidade de discernimento fosse afetada. Parece que nada surte efeito: comida, música, roupas, afeto ou atenção. De uma forma milagrosa alguns usuários se levantam e interagem com os voluntários. Eles conversam, comem e aceitam serem internados em clínicas de reabilitação que prestam auxílio para o projeto.

 

Ao final da tarde, entre a desolação apática da população da Cracolândia e a esperança soluçante das mães que ficam nas esquinas em busca de suas eternas crianças tragadas pelo sombrio mundo do vício, existem uma Kombi com cerca de 10 pessoas que entenderam que a única forma de sobreviverem virando as costas para o inferno travestido de prazer.

 

Ainda que de uma maneira tímida, a esperança ainda faz seus cativos.

 

Para saber mais sobre o projeto envie um e-mail para dapedraparaarocha@vidasrecicladas ou pelo telefone (13) 3016.9727.